quarta-feira, 24 de junho de 2009

A Cultura da Imbecilidade




Andei recebendo alguns e-mails infames e observando os comportamentos quase que dementes da maioria das pessoas. Incrível como pessoas letradas, com curso superior, banalmente no dia a dia fazem perguntas como as seguintes, e ficam espantadas quando damos as seguintes respostas:

(Olha só a observação da pessoa que me enviou o email):
Pior que perguntamos mesmo!!!

1. Quando te vêem deitado, de olhos fechados, na sua cama, com a luz apagada e te perguntam:
- Você tá dormindo?
- Não, to treinando pra morrer!

2. Quando a gente leva um aparelho eletrônico para a manutenção e o técnico pergunta:
- Ta com defeito?
- Não, é que ele estava cansado de ficar em casa e eu o trouxe para passear.

3. Quando está chovendo e percebem que você vai encarar a chuva, perguntam:
- Vai sair nessa chuva?
- Não, vou sair na próxima.

4. Quando você acaba de levantar, aí vem um idiota (sempre) e pergunta:
- Acordou?
- Não. Sou sonâmbulo!

5. Seu amigo liga para sua casa e pergunta:
- Onde você está?
- No Pólo Norte! Um furacão levou a minha casa pra lá!

6. Você acaba de tomar banho e alguém pergunta: (BOA)
- Você tomou banho?
- Não, mergulhei no vaso sanitário!

7. Você tá na frente do elevador da garagem do seu prédio e chega um que pergunta: (ÓTIMA)
- Vai subir?
- Não, não, to esperando meu apartamento descer pra me pegar.

8. O homem chega à casa da namorada com um enorme buquê de flores. Até que ela diz:
- Flores?
- Não! São cenouras.

9. Você está no banheiro quando alguém bate na porta e pergunta:
- Tem gente?
- Não! É o cocô que está falando!

10. Você chega ao banco com um cheque e pede pra trocar: (MUITO BOA)
- Em dinheiro? ?
- Não, me dá tudo em clipes!

Estas palavras nos remetem à algumas reflexões. Há alguns anos tenho estudado o comportamento do brasileiro, mesmo porque o meu trabalho de terapeuta exige uma certa investigação da mente e da emoções das pessoas.

Uma vez meu mestre me disse que a mentalidade do brasileiro é de 5 anos, que mal passaram da fase oral (na psicologia tradicional), e por isso mantêm relações completamente homossexuais. Recordando, a criança de 5 anos que está na fase oral se relaciona com outras crianças do mesmo sexo, e ainda não descobriram o sexo oposto. Colocam tudo na boca para experimentar e conhecer o mundo.

Então, analisando esta conversa, percebi mais atitudes homossexuais do que supunha, além das ja conhecidas histerias relacionadas ao futebol ( homens gozando assistindo outros homens correndo atrás de uma bolinha), a cerveja com os amigos - levar coisas à boca, a tara pelo batons, o cigarro, os alimentos ingeridos compulsivamente, como chocolates e outros, e as falas histéricas - as pessoas ficam nervossas, ao invés de respirarem e refletirem, passam a despejar histericamente palavras sem nexo, pensando talvez que vão resolver assim algum problema.

As mulheres não ficam atrás na fase oral, incluindo os batons, o cigarro, a fala histérica e compulsiva, o chocolate, e ainda possuem outras atividades em substituição ao futebol masculino, como os cabelereiros e os shoppings.

Não teria nada errado em pessoas, tanto homens como mulheres fizessem tudo isso, se fosse apenas um meio de diversão e passatempo, desde que depois conseguissem evoluir para um relacionamento maduro homem mulher.

Mas como não conseguem ultrapassar a fase oral, fazem destas atividades um fim, e não um meio. Os homens passam horas e horas com os amigos e no futebol, e as mulheres tantas ou mais horas no cabelereiro e no shopping com as amigas.

O culto à futilidade.

Ratificando, assisti uma entrevista com o Miguel Fallabela, e ele dizia que em suas pesquisas para desenvolver programas de TV, constatou que a mentalidade da audiência televisiva brasileira é de 9 anos. Um pouco mais maduro do que disse o meu mestre, mas tão surpreendente quanto.

É por isso que temos na TV tantos programas para retardados. Mas deixando de ser tão sarcástica, não são pra retardados, e sim para crianças. Crianças de 5 a 9 anos. Incrível.

Interessante notar que humanos de 5, 10, 20, 40, 60 anos no Brasil, assistem e adoram programas humorísticos e outras bobagens feitas para crianças de 5 a 9 anos.

Mas existe a classificação da audiência, e quando o programa coloca imagens de sexo então, ou cenas fortes de violência, classifica-se o programa com 12, 14 ou 18 anos.

Mas vamos supor que existiria uma classificação por conteúdo intelectual. Ah, mas não precisa, porque crianças com mentalidade de 5 a 9 anos não entende nada de filosofia, história, psicologia, e outros assuntos adultos mesmo, e simplesmente mudam de canal quando o assunto é mais sério.

Voltamos à cultura da banalidade.

Ah, crianças.....

domingo, 21 de junho de 2009

Artes Marciais




Artes Marciais e Música partilham dos mesmos princípios. Ambas se confrontam com cordas complexas e melodias raras.

O segredo da habilidade nas artes marciais pode começar na caligrafia. Há muitas semelhanças entre o pincel e a espada.

Ouvi estas duas frases em um filme do Jet Lee e fiquie semanas pensando nelas. Que linda comparação. E quanta sabedoria existe na China desde a antiguidade.

Kiai!!!

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Porque as pessoas escrevem?

Por que as pessoas escrevem? Já me fiz tantas vezes esta pergunta que hoje posso respondê-la com a maior facilidade. Elas escrevem para criar um mundo no qual possam viver. Nunca consegui viver nos mundos que me foram oferecidos: o dos meus pais, o mundo da guerra, o da política. Tive de criar o meu, como se cria um determinado clima, um país, uma atmosfera onde eu pudesse respirar, dominar e me recriar a cada vez que a vida me destruísse. Esta é a razão de toda obra de arte.
Só o artista sabe que o mundo é uma criação subjetiva, que é preciso escolher, selecionar. A obra é a concretização, a encarnação do seu mundo interior. Ele espera impor sua visão pessoal, partilhá-la com os outros. Se não atinge esta última finalidade, o verdadeiro artista persiste assim mesmo. Os poucos momentos de comunhão com o mundo valem esse sofrimento, pois finalmente esse mundo foi criado para os outros como um legado, como um dom destinado a eles.
Também escrevemos para aprofundar o nosso conhecimento de vida. Para atrair, encantar e consolar. Escrevemos para acalentar nossos amantes. Para degustar em dobro a vida: no momento preciso e retrospectivamente, na sua lembrança. Escrevemos, como Proust, para tornar as coisas eternas e para nos convencermos de que elas o são. Para podermos transcender nossa vida e alcançarmos o que existe além dela. Escrevemos para aprender a falar com os outros, para testemunhar nossa viagem ao labirinto. Para abrir, expandir nosso mundo quando nos sentimos sufocados, oprimidos ou abandonados. Escrevemos como os pássaros cantam, como os primitivos dançam seus rituais. Se você não respira quando escreve, não grita, não canta, então não escreva porque sua literatura será inútil. Quando não escrevo, meu universo se reduz; sinto-me numa prisão. Perco minha chama, minhas cores. Escrever deve ser uma necessidade, como o mar precisa das tempestades – é a isto que eu chamo de respirar.

- Anais Nin

domingo, 7 de junho de 2009

Vôo 447 da Air France




É claro que um acidente nestas proporções tocam fundo na nossa alma. 228 pessoas mortas, e muitas especulações sobre as causas do acidente.

Uma caixa preta (que é laranja) de 10 cm que não flutua, sensores que não funcionam adequadamente, e ausência de radares no percurso fazem a gente refletir sobre alguns assuntos.

Mais ainda, sobre os reais motivos que levam o governo a deslocar 14 aviões e 5 embarcações pra procurar um pouco mais de 200 pessoas mortas, enquanto nada se faz por 154 mil pessoas desabrigadas no Maranhão, totalizando 293 mil pessoas desalojadas em 13 estados brasileiros por causa das enchentes.

Continuam milhares de pessoas desabrigadas, passando fome, ficando doentes, e a imprensa nem fala mais no assunto. Incrível.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Lençóis




Lençóis brancos
Lindos de Amor
Vazios ... sussurram
Palavras de Vento
De Baixo...
Um dia... Será?
Lua dizendo Vem
Será?

Debaixo
Debaixo... dos lençóis
É preciso?
O que é Preciso?

Sim Sim Sim
Será?
Que Dúvida!!!
Não Sei.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Tragédia dos Comuns




Este texto reflete o comportamento humano pre 2012.
A Natureza tem mesmo que fazer alguma coisa, já que nós humanos, agimos assim.
Que des-graça....


 
A (des)vantagem do egoísmo

Por Raul Marinho*
 
Imagine que você saiu para jantar com o pessoal do escritório, todas as 100 pessoas do seu departamento. Você está numa fase complicada de dinheiro, mas... Como a conta vai ser dividida por igual, por que não pedir lagosta? Se todo o resto do departamento pedir filé com fritas que custa 10 reais e você pedir a lagosta de 40 reais, todos pagarão R$10,30. Sua vantagem então será de R$29,70, contra um acréscimo de módicos R$0,30 para cada um dos outros colegas. Genial, não? Sim, se não fosse pelo fato de todos os outros pensarem de maneira análoga e todo mundo pedir os pratos mais caros do cardápio – até quem realmente gostaria de comer um simples filé com fritas pediria um prato caro para não ficar em desvantagem frente aos demais. No final, todo mundo vai pagar uma conta salgada. O que aconteceu nesse jantar hipotético ficou conhecido como a Tragédia dos Comuns, uma outra aplicação da Teoria dos Jogos.

A Tragédia dos Comuns é uma espécie de Dilema do Prisioneiro com um grande número de participantes. A deserção de cada indivíduo em particular afeta muito pouco o restante da coletividade, mas traz grandes vantagens para o desertor. Mas é justamente aí que está o problema: como cada um pensa que sua própria deserção tem pouco significado, todo mundo tende a desertar, o que faz com que a massa de pessoas desertando influencie significativamente o resultado de todo o grupo. No fim das contas, acontece o equilíbrio do sistema na situação em que todos desertam, de forma muito semelhante ao Dilema do Prisioneiro.

Na verdade, a Tragédia dos Comuns é um fenômeno percebido e estudado muito antes do aparecimento da Teoria dos Jogos. Na Europa da Idade Média, havia muita terra sem um dono específico, onde os pastores podiam criar seu rebanho livremente. Seria vantajoso para cada pastor sempre aumentar uma cabeça de gado no seu plantel. Acontece que, se todos agissem assim, em pouco tempo o pasto comum estaria superpovoado e todos sairiam prejudicados. Na Inglaterra medieval existiam leis para regular a quantidade de cabeças que cada pastor poderia cuidar nas propriedades comuns justamente para evitar que a coletividade saísse perdendo.

Hoje em dia, podemos perceber várias Tragédias dos Comuns acontecendo à nossa volta. Um bom exemplo pode ser visto no trânsito das grandes cidades. Repare nos automóveis na rua: a grande maioria deles tem um único ocupante. Todos sabem que o trânsito poderia ser muito melhor se as pessoas se organizassem de modo a andar com três ou quatro pessoas por carro. Mas, por outro lado, também existe a sensação de que “não é o meu carro que está fazendo com que o trânsito fique tão engarrafado”. Pois é, a culpa é sempre dos outros...

Para evitar a tragédia dos comuns, existem duas opções: ou o Estado cria mecanismos legais para coibir determinadas práticas – como acontecia na Inglaterra da Idade Média; ou a própria comunidade cria mecanismos de autodefesa. Cada vez mais, a segunda opção tem sido utilizada. Os “Gérsons” não são exclusividade brasileira e o mundo todo tem adotado práticas auto-reguladoras. Em um mundo com recursos naturais cada vez mais escassos, mecanismos anti-Tragédia dos Comuns têm sido particularmente necessários para impedir que nós destruamos o planeta. O Protocolo de Kyoto é, no fundo, um mecanismo criado para evitar uma Tragédia dos Comuns ambiental. A não adesão dos Estados Unidos ao Protocolo seria equivalente à pessoa que pede lagosta no restaurante quando todos pedem filé com fritas – com o fator agravante do peso da deserção americana ser desproporcionalmente grande. Seria muito diferente se, por exemplo, o Uruguai não aderisse ao Protocolo.

Segundo os estudiosos das estratégias utilizadas em Teoria dos Jogos, a única forma de derrotar um jogador que adote a estratégia do “deserte sempre” é o ostracismo: não jogar com quem adota este tipo de estratégia. Mas como condenar o país mais rico e influente do planeta ao ostracismo? Isto é impossível e os Estados Unidos sabem disto. Justamente por isto que eles adotam a postura do “deserte sempre”. É uma decisão racional dos Estados Unidos. Não é justa, mas é racional. A propósito: se alguém lhe disse que o mundo é justo, sinto muito, mas você foi enganado.