quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Qual o papel dos pais em relação aos filhos?




Uma pergunta difícil esta....
Porque nossos valores familiares são construídos sobre valores da igreja.
Para se preservar a família e se manter a grana.
Para que assim a igreja consiga controlar e absorver uma parte da fortuna.

Minha família é construída em cima destes valores.
Fazem algumas coisas que nem sabem porque, claro, a igreja só impõe, mas não explica.
Porque senão ia ficar chato pra eles.

Há anos estou me libertando destes valores, e descobrindo o que meu coração quer.
Fui ensinada a sempre fazer o que se DEVE (o que eles acham que eu deveria), e nunca o que se QUER.
Então sou considerada anarquista, sob muitas facetas.
Minhas vontades nunca foram respeitadas.
Como é que eu posso ter vontades que sejam diferentes do que se DEVE fazer???

Meu trabalho nunca foi respeitado.
Claro, não sou médica nem advogada, e nunca consegui ficar rica e milionária.
Realização pessoal é um conceito que está simplesmente fora de cogitação.
Como é que se pode gostar de algum trabalho que não vai te deixar rica um dia???

Além do que, não tenho carteira assinada, contrato social ou estatuto.
Não tenho horário a cumprir e nem patrão pra puxar o saco.
E muito menos secretária.
Então simplesmente meu trabalho não é considerado trabalho.
É um hobby simplesmente, não pode ser encarado como um trabalho digno.
Como eu vou me aposentar?????

E, já que eu NAO trabalho, incrível estes conceitos......  eu não tenho direito de descansar.
Nunca... 
Não posso viajar, ir ao cabelereiro, dormir nos fins de semana, tomar uma cervejinha com os amigos, nada destas coisas consideradas (na mente dela - minha mãe) como superfluos, ou presentes do esforço desumano do trabalho.
Claro, já que eu NAO trabalho, então não tenho o DIREITO de usufruir nenhuma destas coisas.

Mas incrível isto, porque alguns dos conceitos foram formados antes mesmo da idade de trabalhar, por exemplo.
Eu nunca pude ter amigos.
Nunca pude conversar com os amigos, sair, namorar. 
Sempre teve algum motivo pra me isolar do mundo.
Então os amigos iam ROUBAR a minha atenção.... 
ou gastar o dinheiro DELA.

As obrigações sempre ficaram acima dos direitos.
E porque é impossivel cumprir todas as obrigações impostas, então não se pode ter direitos.
A paranóia é tanta, que várias vezes me senti culpada, estando na piscina ou na praia, por estar me divertindo, e não trabalhando ou estudando.

Em casa, sempre ouvi ela dizendo.... aqui é TUDO meu.
Os móveis, as paredes, os objetos, a comida da geladeira, TUDO.
Nem minha cama foi minha algum dia, porque foi ela que comprou quando eu era pequena.
E já que a cama era dela, eu só podia dormir quando ELA quisesse. 
E não quando eu tivesse sono.

E isto foi com todas as coisas. 
Até eu me libertar, e ir morar sozinha.
Com 21 anos, assim que consegui meu primeiro emprego.

Também eu não pude casar.
Tive várias propostas, meus pais nunca deixaram.
Só quando eu tivesse dinheiro suficiente .... pra que?
Não sei.

Um dia, meu pai me falou, agora há poucos meses.
Filhos não, filhos não.
Eu perguntei, vocês nunca quiseram netos?
Minha mãe falou..... não, eles vão ficar com nosso dinheiro.
Então minha herança vai pro governo, porque não tenho descendentes, só pra não ir para um neto. 
Que vai ser filho de um homem que não é da família.
O que dizer de um pensamento destes?

Ainda hoje, depois de quase 20 anos morando sozinha, (as vezes não tão sozinha), meus pais vem aqui, entram na minha casa, vigiar o que eu estou fazendo, e com o que estou gastando o meu dinheiro.
Que eles nem sabem de onde vem, claro, já que eu NAO trabalho.... 
Procurando resquícios de pessoas que pudessem vir aqui....
De diversões que eu OUSEI fazer.... uma comidinha melhor, uma bebidinha....
Uma roupa nova.... um jogo no computador....

Não tenho esperanças disto mudar algum dia.
Talvez em outra encarnação, eu tenha a felicidade e a dádiva de conviver com pessoas melhores, mais evoluídas, que tenham RESPEITO ou AMOR no coração.

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