sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Tem vezes....




Tem vezes que acho que to ficando louca.
Que tenho vontade de chorar sem motivos...
Mas não é sem motivos, eu que não entendo meus motivos direito.
É como se uma parte de mim ficasse triste, outra ficasse falando.... para com isso, você não tem motivos pra chorar....
Mas a outra parte fala assim.... tenho sim, to triste, to sozinha, não consigo achar alguem legal pra ficar comigo.... então choro.
É como se eu tivesse fracassado como mulher...
Mas a outra parte sabe que não é verdade, que a maioria das pessoas fica fingindo que tá legal, mas no fundo não tá...
Porque é melhor admitir que ainda não achou, do que ficar fingindo que tem sucesso mas no fundo sabendo que está fingindo.
Porque assim eu ainda me dou a chance de acertar um dia.
E não fico doente, só choro.

Tenho amigos que me apoiam.
Que gostam de mim.
Que me dão força.
Que dizem que eu sou especial, diferente.
Talvez....
Mas meus melhores amigos estão longe.
Não posso pegar, abraçar, apertar, beijar.
E isto dá um vazio tão grande.....

A maioria do tempo fico eu aqui, eu e meu computador, conversando entre si.
Meu computador fala comigo, e eu falo com ele.
A gente se entende.
Às vezes não também.
Às vezes alguem vem falar comigo pelo computador.
Ai fica melhor mas quase sempre a pessoa tá longe.
Fico bem uns minutos, depois ela vai embora, fico sozinha de novo, eu e meu computador.

Nossa, pareço a Clarice falando. A Clarice Lispector, que intimidade, né?
Ela é minha amiga íntima, tenho certeza que ela me entenderia.
Eu entendo o que ela diz nos livros, já vi gente dizer que não entende nada.

E também já vi gente dizer que não entende nada do que eu falo nos blogs e no orkut, mas que gosta.
Mas eles pertencem ao mundo dos trouxas, já sei.
Vocês assitiram Harry Potter?
Nem todos vivem na escola, somos obrigados a viver no mundo dos trouxas.
Agora estou de férias, completamente imersa no mundo dos trouxas.
Me sentindo uma ET.

Ainda bem que sempre encontro um similar bruxo por ai.
No msn, no jogo, na vida.
Assim não me sinto tanto uma estranha.
Clarice Lispector que o diga.
Como ela disse sobre Uma Aprendizagem, ou o Livro dos Prazeres, eu escrevi este livro, mas a culpa não é minha.
Ele é maior do que eu, não me pertence.
É isto.

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